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Colunistas/Significados do Judaísmo | 07/04/2021

A Obrigação da Lembrança de Iom HaShoá

Mendy Tal - Cientista Político

Iom HaShoá é o dia de recordação das vítimas do holocausto.

Estamos chegando mais uma vez na época do ano em que comemoramos Iom HaShoá.

 

Nestes dias, precisamos falar de um outrora impensável período de exceção, quando o povo judeu e outras minorias foram sistematicamente perseguidas, escorraçadas, torturadas e assassinadas pelos mandatários e seguidores do regime nazista.

 

Iom HaShoá é o dia de recordação das vítimas do Holocausto. Como nossas sábias escrituras prescrevem, é necessário lembrar do passado, para que não permitamos que algo tão irracional possa acontecer neste mundo.

 

É absolutamente necessário ouvir cada depoimento doloroso, ver cada filme, exposição, documentário que aborde este tema, às vezes insuportáveis de assistir pela dor que geram, mas que incitam a revolta interna por tamanho descalabro. É preciso que se leia com emoção e inevitáveis lágrimas cada palavra escrita sobre os guetos, os trens da morte, as fugas, os campos de concentração, os dramas pessoais e coletivos acontecidos então.

 

É através deste conhecimento que poderemos apagar a memória de Amaleque, a epítome do mal, e sonhar com um mundo tolerante e justo.

 

Por isso escrevemos aqui. Por isso devemos lembrar. Para que almas inocentes não tenham que passar por um horror semelhante. 

 

Entretanto, conforme os anos nos afastam dos acontecimentos, a noção da enormidade da desgraça parece esmaecer.

 

As pessoas cada vez mais falam menos desta catástrofe da humanidade que ocorreu logo ali, há menos de 80 anos.

 

 

Nossa obrigação seria a cada dia recordar, a cada dia ensinar, a cada dia alertar sobre a capacidade que o ser humano tem de voltar a um estágio sub-humano, tornando-se besta e infligindo o Mal. 

 

Foi logo ali, na esquina do passado, nas décadas de 30 e 40, que milhões e milhões foram assassinados em nome de NADA.

 

E não são apenas as mortes estúpidas que devemos recordar, o número de vidas perdidas foi enorme e assustador, mas por si só não dá a ampla dimensão do terrível significado dessa época histórica vergonhosa. Foram outros tantos milhões de pessoas humilhadas, física e psicologicamente, maltratadas dia e noite, em guetos e campos de concentração, expelidas de seus lares, desprovidas de seus bens, separadas de suas famílias.

 

A narrativa pessoal de cada um destes sobreviventes nos conta da dificuldade de sobreviver naquele cotidiano, quando sucumbir era muitas vezes visto como um alívio.

 

 

Entretanto, ainda hoje, tão pouco tempo passado deste flagelo, encontramos novamente o Mal nas pessoas que simplesmente tentam negar o inegável.

 

Se milhares de descendentes não podem nem se dar ao luxo de visitar as sepulturas de seus familiares, porque cinzas viraram; se as pessoas que passaram por estas privações, sentindo o horror na pele e na alma já estão nos deixando, somos nós, aqui e no mundo inteiro, hoje, amanhã e sempre, que devemos gritar contra todo aquele que por ventura venha a esquecer da Catástrofe do Holocausto.

 

Que o Iom HaShoá leve estas palavras de dor, de respeito e de manifesto: Passamos por um Holocausto, mas faremos o impossível para que o mundo transforme as cinzas espalhadas dos assassinados e o sofrimento dos sobreviventes em energia transformadora, em esforços de paz, em aprimoramento do ser humano.

 

Que a nossa memória e a nossa homenagem iluminem as mentes de nossas crianças e jovens, educando-os para uma era mais justa, mais tolerante, mais humana.

 

Que a nossa memória e o nosso respeito dos mortos e sobreviventes possam se contrapor aos imbecis que ousam negar tal hecatombe.
 

 

 

 


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete a linha editorial e ideológica do Jornal da Orla. O jornal não se responsabiliza pelas colunas publicadas neste espaço.


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