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Colunistas/Positividade | 08/04/2021

Mentalidade de Sustentabilidad

Juliana Colella - Psicologia Positiva, não violência, espiritualidade e felicidade autêntica.

Nossa atenção é seletiva, direcionamos aquilo que consideramos funcional naquele momento e, muitas vezes, deixamos passar informações que poderiam trazer melhor orientação para fazermos as escolhas cotidianas.

 

Para que fazemos o que fazemos? Quando pensamos na construção de um futuro, estamos tomando ações que sustentam a vida para as futuras gerações? Ou estamos só pensando em viver a vida agora, e não importa se a raça humana e as outras vidas que partilham o planeta com a gente prosperem?

 

Isso demonstra o grau de desconexão com a auto responsabilidade sistêmica do ser humano. Como se as ações e escolhas individuais de cada um de nós, reles mortais, não tivessem importância no Todo.

 

Mas será que é a humildade de realmente não achar que fazemos diferença, o que nos impede de fazer diferente? Ou é um comodismo estruturado culturalmente? Porque geraria um esforço de mudança de hábitos que não estamos tão a fim de fazer.

 

Buscamos praticidade, mas vamos refletir, o que é prático? Podemos dizer que é pôr em ação coisas funcionais que tragam valor para você. Agir pelo que é valioso para você, que traga comodidade e facilidade para a vida.

 

Hábitos de consumo e de produção que não levam em conta os ritmos naturais da Terra, e esgotam recursos, se tornam inviáveis de manter, já que isso causa estragos irreparáveis. No ponto em que chegamos, mais do que sustentar recursos, precisamos pensar em regenerar.

 

A economia capitalista selvagem já não mais cabe nesse planeta, e todos temos isso bem claro, então porque se torna tão difícil colocar em prática? Estamos neste momento buscando facilitar a nossa vida, não temos tempo para certas adaptações na rotina, que trariam grande impacto para o bem estar do mundo, e não tomamos as atitudes necessárias, por não ser cômodo. 

 

E isso vai facilitando para nós e impossibilitando o mínimo de qualidade de vida para as futuras gerações. O que sustenta uma comodidade hoje, pode estar impossibilitando a Vida de todo o sistema de prosperar nas futuras gerações. 

Eu acredito que toda e qualquer pessoa que perguntarmos individualmente vai responder ser contra a produção de lixo, o consumo desenfreado, a produção massiva e predatória, e todos os outros problemas sociais que a gente vê no nosso mundo hoje em dia. Então porque não faz as escolhas dentro do que acha certo? 

Eu não estou condenando ninguém aqui, pelo contrário, seria muita hipocrisia minha, já que estou longe de ser o ideal da sustentabilidade. Mas percebem como somos incongruentes?

Vejo que muitos de nós, e já falei isso aqui antes, estão vivendo de forma a nem se dar conta das suas próprias ações do dia a dia. É tudo automático. Tudo como foi ensinado e vem sendo passado geração para geração e não questionamos muito, mesmo estando tudo tão escancaradamente aberto para a gente perceber as incongruências do que valorizamos enquanto indivíduos, e o que valorizamos enquanto sociedade. 

Mas não é a sociedade a soma dos indivíduos? Então porque ela não reflete essas gentilezas, estes cuidados, esta humanidade que se preocupa? Muitas vezes dizemos não valer a pena implementar soluções ambientalmente sustentáveis.

Mas porque a pena que colocamos para pesar em nossa balança é a financeira apenas? Por que o “valer a pena” da redução de lixo não é o peso? 

Nosso maior peso de decisão atualmente vem sendo o financeiro, e isso não traz o poder de equilíbrio para nosso planeta. Porque o sistema financeiro é uma máquina que não para. Que não precisa ter limites, ele é virtual. Mas os recursos verdadeiros da natureza têm seus limites. Não dá pra gente pesar os dois na mesma balança. Porque a nossa vida e a de nossos filhos e netos está em cada escolha que fazemos.

 

Vamos replicando o que nos foi passado e isso é ótimo, mas porque então não paramos para refletir sobre o que nos ensinam? Porque acreditamos em tudo cegamente. 

 

Por exemplo, a tal da praticidade, para mim não parece muito prático consumir embalagens que estão fazendo plástico ir parar no oceano e depois virem para na minha mesa, e um monte de mulheres já estarem tendo vestígios plásticos em suas placentas. Que tipo de humanidade plastificada surgirá no futuro?

 

Também não me parece muito prático, consumir alimentos industrializados e “rápidos”, para me poupar tempo para eu produzir mais num trabalho (que muitas vezes eu nem gosto), ou ter mais tempo livre para descansar, e com isso destruir minha saúde e ter que me atolar de remédios e limitar meu tempo de vida em um futuro próximo. 

 

Porque o tempo de planejar um bom cardápio saudável junto da família, não se torna tempo de lazer? Porque criar tempo para cozinhar em família aos domingos, não se torna entretenimento? 

 

Temos uma mente incrivelmente criativa a nosso favor. Se deixamos ela tão ociosa sem realizar ações verdadeiramente práticas, acabamos desperdiçando toda a evolução da qual temos tanto orgulho de exibir.

 

Vamos criar alternativas para estas questões! Na verdade, já existe tecnologia para tratar de todos os problemas atuais da humanidade. Só precisamos pesquisar, e democratizar o acesso.


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete a linha editorial e ideológica do Jornal da Orla. O jornal não se responsabiliza pelas colunas publicadas neste espaço.


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