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Colunistas/Cinema | 10/04/2021

Dica da semana: Steve Jobs

Diego cursou Crítica Cinematográfica na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo.

Reprodução

O filme consegue desmistificar o gênio da tecnologia explicando o mistério por trás do homem.

Quem foi Steve Jobs? Uma das personalidades mais marcantes do mundo da tecnologia de todos os tempos, Jobs foi o responsável pela popularização do computador pessoal, mp3 e smartphones que são usados hoje. Como se isso não bastasse, foi ainda uma das peças fundamentais na criação da PIXAR, um dos estúdios de animação mais lucrativos da história do Cinema. Mas quem foi realmente Steve Jobs? "Você não é programador, não é engenheiro, não é designer. O que você faz?" questiona em determinado do filme Steve Wozniak, gênio responsável por boa parte da tecnologia da marca. O diretor Danny Boyle e o roteirista Aaron Sorkin respondem sem dificuldades e de forma didática a este questionamento: se os músicos de uma orquestra sinfônica tocam os instrumentos, Jobs era o cara que comandava a orquestra.


O filme mostra três momentos importantes da vida do inventor, empresário e magnata Steve Jobs: os bastidores do lançamento do computador Macintosh, em 1984; da empresa NeXT, doze anos depois e do IMac, no ano de 2001. O filme é dirigido pelo premiado cineasta Danny Boyle, que divide seu longa nos três atos citados acima e se concentrando nos minutos que antecedem cada apresentação. Retratando Jobs desde o início do filme como um sujeito metódico, exigente e extremamente detalhista, Danny Boyle concentra seus interesses ao mostrar ao público o indivíduo em si e não pela persona pública que Jobs ficou conhecido, sempre com a energia da câmera na mão e sua habitual montagem frenética, onde atinge o ápice na sequencia em que Jobs interage em uma conversa quente com um de seus antigos desafetos, em dois momentos distintos mas mostrados de maneira simultânea, que já mereceria uma salva de palmas por tornar o ambiente tão tenso ao ponto de deixar o espectador grudado na poltrona. O diretor consegue manter o público vidrado durante toda a projeção com uma edição bastante dinâmica que não faz o filme nunca perder o ritmo. 


O roteiro é uma jóia do cinema, escrito pelo genial Aaron Sorkin, o mesmo do filme A Rede Social. Não é um texto fácil, pois o excesso de diálogos e os pouquíssimos cortes cobram bastante do espectador, que vão demorar um pouco para absorver o excesso de informações que chegam bombardeando a tela, mas essa era a essência de Jobs. O ponto alto de seus roteiros são os embates verbais entre os personagens e aqui possui alguns dos melhores momentos de sua carreira. Ao optar por mostrar a vida de Jobs em três recortes e momentos chave de sua vida, o roteiro sai da obviedade e entrega algo totalmente original, com o destaque de não ter medo ao mostrar sem cerimônias os traços negativos da personalidade de Jobs, seja com a falta de empatia ou o total desprezo por aqueles que ele considerava inferior ou também em seu problemático relacionamento com sua filha, que lutava para não assumir sua paternidade.


A montagem é realizada de maneira eficiente ao evitar que o público se perca nas linhas narrativas do longa com passado e presente se alternando de forma bastante fluída ao passo que a fotografia vai tirando as cores da vida de Jobs a medida que os anos se passam e sua carreira se torna mais bem sucedida, mas ao mesmo tempo sem vida. Outro ponto de destaque é a potente e interessante trilha sonora  composta por Daniel Pemberton.


Steve Jobs é encarnado com maestria por Michael Fassbender, que demonstra um assustador equilíbrio entre a intensidade de um maníaco e uma fria serenidade, tudo isso colaborando em refletir a personalidade quase doentia que lhe era peculiar e ao mesmo tempo conferindo traços de doçura, no momento que percebe o trabalho que sua filha fez ao utilizar o computador que ele desenvolveu e no emocionante final, que pode dividir opiniões mas que eu gostei.


Steve Jobs consegue desmistificar o gênio da tecnologia explicando o mistério por trás do homem de forma quase brilhante. Possui um brilhante roteiro que aprofunda na mente de um dos maiores gênios modernos, uma direção enérgica que foge dos padrões convencionais e uma atuação certeira de Michael Fassbender.


Curiosidades: Os atores Leonardo DiCaprio e Christian Bale foram cogitados para o papel principal antes de cair nas mãos do ator Michael Fassbender.
 


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