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Colunistas/Cinema | 17/04/2021

Dica da semana: Erin Brockovich - Uma mulher de talento

Diego cursou Crítica Cinematográfica na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo.

Reprodução

"É entretenimento puro aliado a filme-denúncia dos mais potentes".

Erin Brockovich é um daqueles filmes estadunienses que focam na postura heróica de uma determinada pessoa que decide enfrentar o mundo contra injustiças afim de validar sua causa no velho e interminável ciclo de embates entre pessoas comuns e grandes corporações. O grande trunfo desse filme, além de conter uma estupenda direção e uma atuação principal que literalmente brilha em tela, é mostrar ao público que pessoas simples mas com existências extraordinárias estão constantemente transitando em nosso cotidiano e engajadas ao exercer seu papel como cidadão. E isso, para os dias de hoje, já é algo para se aplaudir de pé.


No filme, Erin (Julia Roberts) é a mãe de três filhos que trabalha num pequeno escritório de advocacia. Quando descobre que a água de uma cidade no deserto está sendo contaminada e espalhando doenças entre seus habitantes, convence seu chefe a deixá-la investigar o assunto. A partir de então, utilizando-se de todas as suas qualidades naturais, desde a fala macia e convincente até seus atributos físicos, consegue convencer os cidadãos da cidade a cooperarem com ela, fazendo com que tenha em mãos um processo de 333 milhões de dólares. O filme é dirigido por Steven Soderbergh, que já havia demonstrado seu potencial e talento em seus longas anteriores, mas que aqui atingiu outro patamar que o colocou em uma reviravolta em sua carreira seguido de sua obra prima, Traffic - Ninguém Sai Limpo, lançado pouco tempo depois. Iniciando o longa com uma impressionante sequencia onde vemos Julia Roberts entrar e partir em um carro que se acidentará a poucos metros adiante, o diretor surpreende o público pela sua simplicidade e eficiência, suas marcas registradas. O diretor deixa o filme fluir bem, sem intervenções por parte da direção ou invencionismos baratos. 


O roteiro de Susannah Grant é uma boa aula de desenvolvimento de personagens centrais e coadjuvantes, penetrando no mundo de Erin e revelando suas motivações, seu potencial e suas fragilidades, humanizando-a mesmo que o trajeto seja focar em sua postura heróica. Mesmo recorrendo à alguns clichês em situações pontuais, como no caso do herói sempre ter que ser perseguido pelos vilões ou de Erin se tornar antipática ao longo da história, algo perigoso para um filme que quer estabelecer alguém que seja digno de nossa admiração, nada disso tira o mérito e entretenimento com qualidade que o filme se propõe.


Na parte técnica, vale dar o destaque para a direção de arte que transmite de forma eficaz a realidade vivida pelos habitantes daquele pena cidade ou ao criar o sutil e simples escritório de advocacia ao qual Erin trabalha em contraponto ao suntuoso ambiente corporativo da empresa adversária. O figurino do filme também consegue trazer realismo, revestindo a personagem principal de acordo com suas atitudes e linguajar.


Mas não há como escapar que o filme pertence a Julia Roberts (que ganhou merecidamente o Oscar de Melhor Atriz naquele ano). Sua atuação é vibrante e totalmente convincente, despindo qualquer traço daquela estrela de Hollywood que todos conhecemos. Momentos comoventes, como na cena em que ouve pelo telefone que sua filha aprendeu a falar a primeira palavra ou a química com o advogado, vivido por Albert Finney, comprova todo seu talento.


Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento é entretenimento puro aliado a filme denuncia dos mais potentes. Conta também, com um grande trabalho de um diretor que estava prestes a atingir seu ápice e uma fenomenal atuação de Julia Roberts, no melhor papel de sua carreira.  


Curiosidades: A produção do filme custou 52 milhões de dólares, sendo que 20 milhões foram destinados ao pagamento do cachê de Julia Roberts.
 


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