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Colunistas/Fronteiras da Ciência | 24/04/2021

Eterna gratidão

Jadir Albino é apresentador do programa "Fronteiras da Ciência", exibido aos domingos, às 19h, na Santa Cecília TV, com reapresentação aos sábados, às 21h.

Freepik

Saber que para alguém fizemos a diferença nos engalana a alma.

A Dra. Leandra, logo que saiu da residência médica, foi trabalhar em um Pronto-Socorro de uma pequena comunidade, na Califórnia.


No primeiro Natal, por ser novata, foi escalada para o plantão. Um tanto contrafeita, despediu-se da família e foi para o hospital.


Às 21h, a ambulância chegou trazendo um senhor de uns sessenta anos, com ataque cardíaco.


Seu rosto estava pálido, acinzentado, e ele parecia muito assustado. Após os procedimentos de emergência, a doutora o transferiu para a U T I.


No dia seguinte, antes de retornar ao lar, ela foi saber como ele estava. O estado ainda era grave, mas ele sobrevivera e agora dormia.


Ela nunca mais teve contato com ele, porque Pronto-Socorro é assim. Os doentes graves, os feridos chegam, muitas vezes apavorados, são atendidos e se vão.


Na véspera do Natal do ano seguinte, novamente Leandra foi escalada para o plantão. Exatamente às 21h, ela foi chamada pela atendente de enfermagem.


Um casal desejava lhe falar. O senhor, que se apresentou como Lee, lhe disse:


-Você provavelmente não se lembra de mim, mas na véspera do Natal passado, você salvou a minha vida. Obrigado pelo ano que me deu.


O casal a abraçou, deixou-lhe um presente e se foi. 


A doutora ficou surpresa e comovida. No ano seguinte, ela fez questão de fazer o plantão. Queria ver se o casal voltaria.


Exatamente às 21h, os Lee chegaram, trazendo o mais novo neto nos braços. Ela foi abraçada. Eles prometeram que retornariam para vê-la, em todas as vésperas de Natal.


Se ele não aparecesse, ela saberia que ele morrera. Durante as treze vésperas de Natal seguintes, o senhor Lee e a esposa vieram, sempre às 21h.


Todo o hospital sabia da história e os colegas davam um jeito para que ela ficasse em torno de meia hora com eles, na sala de descanso.


Nesse tempo, ele trouxe, em um dos Natais, outro neto e um bisneto. 


E a cada Natal, ela ganhava um mimo, símbolo da gratidão de um homem e sua esposa.


No último Natal, ele trouxe um presente todo especial. 


Ela desembrulhou o pacote e encontrou um sino de cristal, com uma única palavra gravada: Amizade.


No ano seguinte, ele não voltou, pois fizera a grande viagem, rumo à pátria espiritual.


A doutora mudou-se, algum tempo depois, para o Estado do Colorado, nos Estados Unidos.


Porém, todos os anos, a cada véspera de Natal, exatamente às 21h, ela toca o pequeno sino de cristal e recorda do homem que nunca se esqueceu de agradecer.


[com base em texto de Leandra Lynch da Revista Seleções e na Redação do Momento Espírita]


Naturalmente, quando se está cumprindo o dever profissional, não se aguarda gratidão. Executa-se o melhor porque isso nos realiza, na qualidade de profissionais.


Contudo, quando em nossa jornada encontramos pessoas como o senhor Lee, que sabe agradecer, reconhecendo o nosso esforço, nossa vida adquire sentido mais amplo.


Saber que para alguém fizemos a diferença nos engalana a alma de felicidade e nos estimula a que mais nos dediquemos na causa a que nos entregamos.


Afinal, a gratidão é a memória do coração.

 

PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE
 


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