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Colunistas/Cinema | 01/05/2021

Dica da semana: À Espreita Do Mal

Diego cursou Crítica Cinematográfica na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo.

O resultado funciona em partes, saindo-se melhor em sugestões do que em suas revelações.

A princípio, À Espreita do Mal aparenta trazer conflitos e reviravoltas em excesso. Numa floresta, crianças começam a desaparecer, seja pela presença de um serial killer ou por alguma força sobrenatural. Na trama familiar, uma terapeuta atravessa uma crise matrimonial ao passo que estranhos acontecimentos vão acontecendo dentro de sua residência, como objetos desaparecendo e aparelhos eletrônicos funcionando sem motivo aparente. O filme reúne um pouco do terror fantástico, com o horror naturalista e pitadas de suspense psicológico em sua narrativa e o diretor junto com seu roteirista tentam fazer com que todos estes motores de tensão estejam inteiramente ligados, com o resultado final funcionando em partes e saindo-se melhor em suas sugestões do que em suas revelações.


Em À Espreita do Mal, o desaparecimento de um garoto de 12 anos faz com que o investigador principal Greg Harper (Jon Tenney) lute para equilibrar a pressão da investigação e seus problemas conjugais com sua esposa Jackie (Helen Hunt). A família enfrenta momentos de grande tensão, além de ter que lidar com a chegada de uma presença maliciosa em sua casa, colocando o filho do casal em perigo mortal. O filme é dirigido por Adam Randall, que aqui parece querer abraçar o mundo com tantas subtramas que atiram para todas as direções e por tentar ser ambicioso demais em sua narrativa, criando uma forte expectativa por resposta no público, acaba por inviabilizar o que tinha de melhor em sua narrativa, que é sua grande revelação final. O primeiro ato do filme, quando o diretor vai nos apresentando um pouco mais do cotidiano daquela família, é o ponto alto onde cria uma atmosfera incômoda e um pouco sobrenatural, tornando-se fácil embarcar em sua proposta transformando o público em um verdadeiro rato de laboratório, que é conduzido e influenciado de acordo com o que é aos poucos revelado.


O roteiro de Devon Graye planta tantas pistas a resolver, que desperta uma grande curiosidade de como vai amarrar todas as respostas até o seu desfecho. Sem entregar spoilers, o texto consegue entregar as reviravoltas prometidas, porém com o custo de um sacrifício da verossimilhança, onde as descobertas de determinados personagens soam absurdas e jamais esclarecidas em termos de construção de personalidade, soando extremamente artificiais com explicações forçadas e resoluções que não encaixam. 


A produção do longa é um pouco confusa, onde deixa a sensação que querer forçar a barra para que o espectador seja distraído a todo custo, seja com excessivas tomadas aéreas via drone ou com sua insistente ambientação sonora que carrega a mão mesmo em cenas que não necessitariam de um clima de tensão.


No elenco, não temos grandes destaques. Helen Hunt, bem menos expressiva do que antigamente (lembram dela em Náufrago?) tenta trazer a sua personagem alguma fragilidade a uma mulher adúltera ao passo que o jovem Owen Teague demonstra boa desenvoltura tanto cômica quanto dramática.


À Espreita do Mal é um thriller ambicioso e que tinha um potencial por apresentar alguma certa originalidade em sua narrativa, mas que peca por seu excesso de vontade. Fica a sensação de que algumas coisas poderiam ter sido melhor desenvolvidas, mas que continua sendo um passatempo agradável no catálogo da NETFLIX.


Curiosidades: As cenas da cachoeira e do rio foram filmadas no centro de Chagrin Falls, Ohio, nos arredores de Cleveland
 


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