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Colunistas/Medicina e Saúde | 30/04/2021

A saúde em nossas mãos

Marcio Aurelio Soares é médico sanitarista

"É importante estarmos aqui debatendo e informando sobre nosso bem maior, a saúde".

Inaugurando essa coluna, quero agradecer ao Jornal da Orla pelo espaço e dizer do quanto é importante estarmos aqui debatendo e informando sobre nosso bem maior, a saúde. Interessante é que quando nos referimos à saúde lembramos imediatamente de alguma doença; e, nesse momento, nos vem à mente imediatamente, a Covid-19, e com razão.

 

Lembramos de doenças porque seu conhecimento, sua evolução clínica natural, as formas como as contraímos e nos curamos, são fundamentais também para a sua prevenção. 

 

Nesse caso, e sempre, a informação é poder. Um povo informado e culto certamente será um povo mais saudável. Cumpro, portanto, neste espaço a missão de trazer informação, sob todos os pontos de vistas, de forma a nos ajudar a enfrentar essa que é uma condição inexorável da vida, a doença e a morte, mas que nós humanos lutamos tanto em busca de seu reverso, a saúde e a infinitude.

 

Temos evoluído bem no quesito sobrevida média de nossa espécie. Nas últimas décadas, a expectativa de vida aumentou significativamente em todo o mundo. Quem nascesse em 1960, poderia esperar viver até os 52 anos de idade. Hoje, a média é de 71 anos – informação da ONU – Organização das Nações Unidas. Com extremos positivos, como a expectativa de vida feminina no Japão de 90 anos, estando os países desenvolvidos com a expectativa geral em torno dos 80 anos

 

O salto no Brasil foi ainda maior. Nas últimas cinco décadas, nossa expectativa de vida ao nascer pulou de 48 para os atuais 75,5 anos. E vejam que dado importante. A sobrevida de um sexagenário no Brasil hoje é de 22,3 anos, ou seja, uma expectativa média de viver até 82 anos.

 

Opa, vocês vão ter que me aturar! Vai dizer aquele coroa, tiozão do churrasco, com quem sempre nos identificamos por nos vermos nessa personagem tão leve que é a expressão de nós mesmos.

 

Não é difícil fazer um exercício aqui para entendermos essas realidades diferentes e, num olhar rápido, díspares, até. 

 

A expectativa de vida é resultante de condições de vida socialmente melhores ou piores e mais ou menos protegidas devido aos avanços tecnológicos que impactam na produção, distribuição e uso e consumo de equipamentos médicos para diagnóstico (ecocardiograma, por exemplo) e para a manutenção da vida (respirador mecânico, um outro exemplo); insumos e medicamentos; e, profissionais treinados e qualificados cuidar de nossa saúde.

 

A diferença está que somos um País muito desigual e violento. Nossa principal causa de morte entre cinco e 50 anos é a violência; e acima dos 50 anos, as doenças crônico degenerativas (infarto, derrame, diabetes, câncer etc). “Matamos” mais nossos jovens, no trânsito, com armas de fogo, em afogamentos, ao mesmo tempo que avançamos na oferta de serviços de saúde, particularmente, por termos criado o maior sistema público de saúde do mundo, universal, integral e para todos.

 

Fortalecer a presença do Estado nas periferias, de modo que se intensifique a atenção aos nossos jovens, com maior oferta de serviços sociais, como esporte, cultura, formação profissional, lazer e educação de qualidade, que ensine mais a perguntar do que a responder, associado a ações públicas que garantam maior investimento na saúde pública, esses são os caminhos para preservação da vida, com melhora de sua expectativa e maior qualidade em seu viver. 

 

 

 


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete a linha editorial e ideológica do Jornal da Orla. O jornal não se responsabiliza pelas colunas publicadas neste espaço.


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