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Colunistas/Livros e mais livros | 05/05/2021

Eu sou Ozzy

Rafael Medeiros, Procurador do Município de São Paulo e ávido leitor.

A autobiografia de um rockstar que virou ícone da cultura pop.

 A autobiografia de Ozzy Osbourne foi lançada em 2009 e rapidamente atingiu o topo da prestigiosa lista de livros mais vendidos do New York Times. O fenômeno não é difícil de ser explicado: apesar de pertencer a um nicho musical restrito, Ozzy sempre ostentou uma personalidade expansiva que flertava com um público maior. Tornou-se um ícone da cultura pop quando a MTV lançou o reality show The Osbournes. 

 

A primeira parte da vida de um jovem Ozzy se passou na cidade de Aston, Inglaterra. E a vida se resumia àquilo mesmo: pouco dinheiro, trabalhos manuais e, com um pouco de sorte, um emprego para toda a vida numa fábrica. Desencaixado, entre empregos improváveis, pequenos furtos e seis meses de prisão, Ozzy enfim se defrontou com aquilo que mudaria sua vida: um álbum dos Beatles. A partir daí só pensava em formar uma banda; afinal, parecia-lhe certo não querer trabalhar numa fábrica para sempre. 

 

Foi por meio de um despretensioso anúncio deixado numa loja de música que os jovens Tony Iommi e Geezer Butler foram bater à porta de Ozzy. Ali nascia o Black Sabbath, a banda precursora do que hoje se entende por heavy metal. Impressiona como tudo aconteceu muito rápido: o sucesso, shows, discos, a loucura, e enfim a demissão de Ozzy. Seria o fim? De maneira alguma: Ozzy ergueu uma das mais bem sucedidas carreiras musicais de todos os tempos. Ozzy solo, para muitos, é ainda maior que o Black Sabbath – na loucura insana, certamente sim.

 

Um livro bem escrito, recheado de episódios inacreditáveis e engraçados e outros tantos terríveis. É o retrato sincero do que foi ser um rockstar nas décadas de 70 a 90, narrado por quem levou os excessos às últimas conseqüências e sobreviveu para contar. 

 

Motivos para ler:

1– Ozzy é um músico incrível. Sua fase com o Black Sabbath foi brilhante, e conseguiu ser ainda melhor na carreira solo. Confira algumas de suas músicas e comprove por si mesmo: Mama, I´m coming home, No more tears, Goodbye to romance, Crazy train, Perry Mason, Mr. Crowley, dentre tantos outros hits;

 

2– Um dos pontos mais engraçados do livro é a relação travada com alguns fanáticos (satanistas de um lado, religiosos de outro) que perseguiam a banda. Ozzy nunca foi satanista ou coisa que o valha. Os rapazes apenas gostavam do visual obscuro por pura estética. O que diriam os fanáticos se soubessem que a banda, no meio de uma turnê, resolveu ir ao cinema para assistir ao filme O Exorcista e todos tiveram que dormir juntos no mesmo quarto de hotel porque ficaram aterrorizados com o filme...;

 

3– A tônica do livro é o bom humor e a leveza, expondo todos os absurdos eventos que marcaram a trajetória de Ozzy: o “incidente” com a pomba numa reunião de negócios, o clássico engano ao considerar, em pleno show, um morcego de verdade como se de brinquedo fosse, os encontros com tantas celebridades da época. Mas há o lado terrível, que é narrado com muita sinceridade e sobre o qual Ozzy nada se orgulha: os excessos que deterioraram suas relações familiares, o vício em toda sorte de drogas, a morte inacreditável de seu grande parceiro, o talentoso guitarrista Randy Rhoads. Um relato honesto de um estilo de vida que não existe mais. 


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