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Colunistas/Medicina e Saúde | 14/05/2021

Barriguinha de chopp. Os humanos que se transformaram em 'bumbípede'

Marcio Aurelio Soares é médico sanitarista

Para saber se sua barriguinha passou dos limites, temos um boa ferramenta, a fita métrica.

Não faz muito tempo na história da evolução de nossa espécie, que homens, para sobreviver, saiam para caçar e pescar, o que lhes exigia grande mobilidade e força muscular. Mas isso faz parte de um passado. Hoje “caçamos” e “pescamos” nossa sobrevivência no computador. E, nem tanto mais neste que já foi um equipamento que ocupava um andar inteiro de um prédio, mas sim, no telemovel, o que nós brasileiros chamamos de celular. Dizem os técnicos que esse termo usado por aqui está errado, porque o telefone não é celular, mas sim o tipo de rede utilizado por ele. Isto é uma metonímia. Foi criada uma substituição lógica de um termo por outro. Como sou de família portuguesa dos Açores, uso o ZapZap no telemovel. 


Foi essa tecnologia, em especial, que nos transformou em “bumbípedes”. O mundo digital é preguiçoso, nos remete à cadeira, ao sofá e até à cama. Em pouco tempo não precisaremos mais, se quer, pedir pizza e recebê-la à porta. Bastará um toque na telinha e o jantar estará posto à mesa. A tecnologia 4G permite essa precisão o que nos fará ficar, cada vez mais, com o traseiro sentado.


Sem atividade física natural ou provocada, surge a barriguinha. E o que para uns era um charme hoje sabemos que é um risco para a saúde. Esse volume extra no abdome é sinal da presença de gordura visceral, tecido adiposo que se acumula nas vísceras e entre elas. Fígado, pâncreas, intestinos, ficam todos gordinhos. Ou você acha que engordamos só para fora? Antes fosse só uma questão estética. Dependendo da quantidade, essa gordura em excesso pode se transformar em doença, pois geram inflamação no organismo e interferem na regulação de certos hormônios, na absorção de nutrientes, no nível de colesterol e mesmo na fertilidade. Essa interação nociva está estreitamente ligada ao aumento no risco de doenças cardiovasculares, como infarte e AVC – derrame, pressão alta, diabetes tipo 2; o que nós médicos chamamos de síndrome metabólica. As estatísticas mostram que neste caso a mortalidade por doença cardiovascular aumenta em até três vezes. Acabou o charme!

 

Para saber se sua barriguinha passou dos limites, temos um boa ferramenta, a fita métrica. Se sua circunferência abdominal estiver maior que 102 cm para os homens e 88 cm para as mulheres, você não tem opção. Tire o tênis da sapateira, a bicicleta da garagem e vá se mexer. Esqueça o celular, digo, o telemovel na gaveta por uns instantes e vá pedalar. Como dizia meu pai, desopila o fígado, faz bem à mente e ao corpo. 


Feito isso, e com o colesterol e a glicemia em dia, que tal uma cervejinha e um bom papo? Porque ninguém é de ferro. Uma geladinha e comodidades na medida certa não fazem mal a ninguém.


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