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Colunistas/Fábrica de Textão | 20/05/2021

Do começo ao fim, o caminho é a melhor parte

Redator publicitário

Os outros dois pontos, são apenas pontos. O de partida e o final.

Está aí uma coisa que não nos damos conta sempre: um dia isso vai acabar.

 

Quando passamos a viver de verdade? Quando nos damos conta disso?


A vida é suave e frágil como o canto de um pássaro. Como um canto de um pássaro? Então devemos acrescentar: suave, frágil e linda. E breve também. Adicione isto, por favor.

 

Falhamos muitas vezes durante a vida toda em compreender a nossa mortalidade. Em não a apreciar ou aproveitá-la. Apreciar a mortalidade, não a morte. Veja bem, são duas coisas totalmente diferentes.

 

Já falei em outros textos, mas volto a citar aqui duas lendas. Uma grega e outra brasileira.

 

A lenda grega diz que os deuses invejavam a mortalidade humana. A nossa capacidade de experimentar a sensação de viver um momento como se fosse o último. Isto é único. Literalmente.

 

A brasileira é o Chico Anysio (ele mesmo já é a lenda).

 

Quando perguntado se tinha medo de morrer, respondeu: eu tenho pena.


E a gente acreditava que “professor” era só a profissão de um personagem dele, né? Que aula de vida em três palavras!

 

Entender que vamos morrer um dia, realmente compreender que isto é um fato, não é pessimismo, “bad trip” ou morbidez. Pelo contrário. Compreender que isto vai acontecer um dia, mas, que até lá, em todos os outros não, é justamente querer vivenciar ao máximo este pequeno intervalo que nos foi concedido desde que fomos concebidos. Curtir a viagem, sabe?

 

Em algum lugar, um relógio em contagem regressiva já começou a trabalhar. Um para cada um. Mas, para que ficar procurando pelo placar quando você pode aproveitar a partida enquanto a bola está rolando e ainda é possível se divertir? Aliás, é pelo que você faz em campo que a torcida se lembrará para o resto da vida.

 

Ah sim! Esta é a maneira de mudar um pouco isso. De hackear o tempo e atravessá-lo, passe ele o quanto passar. Seja a memória em alguém. Faça alguém rememorar com carinho de você. Faça-a sorrir ao ver algo bobo, simples, sem sentido algum e lembrar-se de você. E faça isso hoje.

 

Não é preciso muito. Você não precisa mudar o mundo ou fazer algo grandioso. Quando forem perguntar de você, a quem realmente te conhecia, é da sua risada esquisita, do seu jeito apressado de falar, da forma engraçada como você dormia que irão se lembrar.

 

A vida é enorme, gigante. Mas ela é marcante por detalhes.

 

Nós não somos imortais, mas podemos ser eternos.

 

E parafraseando Renato Russo, a gente insiste em acreditar que tudo será pra sempre, mesmo sabendo que o pra sempre acaba.

 

Talvez a graça esteja justamente aí.


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete a linha editorial e ideológica do Jornal da Orla. O jornal não se responsabiliza pelas colunas publicadas neste espaço.


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