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Colunistas/Significados do Judaísmo | 20/05/2021

Moshe Dayan - O Eterno General de Israel

Mendy Tal - Cientista Político

Moshe Dayan ficou conhecido como 'guerreiro da paz'.

Dayan foi um soldado e estadista que levou Israel a dramáticas vitórias sobre os vizinhos árabes e se tornou um símbolo de segurança para seus compatriotas.


Moshe Dayan, o Guerreiro da paz, nasceu em 20 de maio de 1915, no Kibutz Deganya Alef.


Degania Alef foi o primeiro de todos os Kibutzim, tendo sido criado quase quatro décadas antes do estabelecimento do Estado de Israel, no que então era o Império Otomano e logo depois viria a ser o Mandato Britânico da Palestina, tornando Moshe Dayan um dos mais verdadeiros filhos da pátria sagrada.


Moshe, desde jovem, aprendeu e falava o idioma árabe com fluência e foi peça importante durante as primeiras batalhas entre os árabes e os pioneiros da construção do Estado de Israel.


Em 1939, Dayan filiou-se à Haganá, na época clandestina, mas que viria a ser o embrião das Forças Armadas de Israel. Tzahal.


Também em 1939, por força de suas múltiplas atividades na Haganá, Dayan foi preso pelos ingleses.


Permaneceu dois anos no cativeiro, mas, já conhecido por sua competência militar, foi libertado e engajado em uma tropa australiana incumbida de lutar durante a Segunda Guerra Mundial.


Na época, lutando na Síria com seu binóculo em sua face, levou um tiro que lhe custaria um olho de forma grave. Teve então que fazer uso de um tampão que faria parte de sua imagem para todo o sempre.


Desde o dia da Independência de Israel, Dayan comandou os 30 mil homens treinados da Haganá, na defesa de Israel contra todo o mundo árabe.


Sua primeira grande batalha como israelense foi a defesa do Kibutz onde nascera, contra a invasão dos tanques sírios.

 


Nossos inimigos contassem com uma força bélica extraordinária com aviões, tanques, milhares de veículos blindados, artilharia pesada de metralhadores e morteiros, cavalaria e infantaria. O propósito dos árabes era “atirar os judeus ao mar”, mas, faltou-lhes coordenação e habilidade para vencerem os resolutos judeus.


Também, logo em seguida, em 1949, Dayan mostrou sua habilidade diplomática participando das negociações acontecidas na ilha de Rodes, na Grécia, mediadas pelo americano Ralph Bunche, que resultaram em um armistício com os países árabes, exceto o Iraque.


Em 1952, Dayan foi nomeado Chefe de Operações do Estado Maior e, no dia 6 de dezembro do ano seguinte, designado Comandante em Chefe das Forças Armadas de Israel, tornando-se assim, o militar de mais alto grau na hierarquia de Tzahal ( Forças de Defesa do Estado de Israel).


Desde então, o líder máximo do exército israelense se destacou também no comando de operações para inviabilizar qualquer ataque terrorista contra Eretz Israel e o povo judeu.


Em 1956, com o perigo de mais uma guerra, Dayan, mais uma vez usou de diplomacia e foi com Ben Gurion e Shimon Peres a uma viagem secreta para a França, com o intuito de liberar o canal de Suez, que havia sido nacionalizado pelo ditador egípcio Gamal Abdel Nasser. Não conseguira e foram à guerra. 


Do ponto de vista objetivo, a Guerra do Sinai foi bem-sucedida e Israel conseguiu a passagem livre pelo estreito de Tirã, tão necessária para o país.


Em 1958, Dayan começou a cursar a Faculdade de Ciências Políticas da Universidade Hebraica de Jerusalém, com ênfase nas questões pertinentes ao Oriente Médio.


Porém, logo após dois anos, Ben Gurion o chamou para voltar a fazer parte da história do país.


Em 1959 assumiu o Ministério da Agricultura e foi já nesta época que Israel foi se tornando especialista internacional nas questões agrícolas.


Em Junho de 1967, como resposta a atos beligerantes do mesmo ditador egípcio Nasser, e com a Frente formada pelo Egito, Síria e a Jordânia, a guerra bateu na porta novamente desta pequena nação.


Em 5 de Junho de 1967, já nomeado Ministro da Defesa, Dayan enviou jatos da Força Aérea de Israel (IAF) rumo ao sul que aniquilaram todos os aviões da força aérea egípcia, ainda estacionada em sua base central perto do Cairo. 


Era o início da Guerra dos Seis Dias. 


Liderados pelo General Ariel Sharon, em apenas dois dias o Exército de Israel não mais enfrentava resistência em direção do canal de Suez.


Durante a bem-sucedida incursão, ouvia-se a voz de Dayan pelo rádio dizendo: "Soldados das Forças de Defesa de Israel, a partir deste momento, nossas esperanças e nossa segurança estão em suas mãos!"


O general teve uma atuação tão consistente quanto intensa à frente do Ministério da Defesa.


Entretanto, em 06 de Outubro de 1973, mais uma vez Israel entraria em guerra, sendo que, desta vez, as coisas seriam bem mais difíceis.


Dayan declarou "Naquele dia, nossos inimigos souberam aproveitar duas expressivas vantagens: a iniciativa de atacar e a supremacia de forças".


Em 1977, com a ascensão de Menachem Begin como primeiro ministro, o general foi nomeado Ministro das Relações Exteriores e teve atuação fundamental nos acordos de Camp David.


Moshe Dayan faleceu de câncer no dia 15 de outubro de 1981. 


No último parágrafo de sua autobiografia, lê-se: "Nós temos que aprender a viver e a lutar na difícil realidade política do nosso tempo. Mas, a maior obrigação é ir de encontro à nossa própria visão de moldar um estado pioneiro, uma sociedade criativa que floresça dos frutos de seu trabalho, um estado corajoso, pronto para lutar até a morte para se defender, um povo com ideais, se esforçando para alcançar seu propósito histórico e nacional :


O renascimento da nação judaica em sua Pátria".


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