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Colunistas/Cinema | 22/05/2021

Dica da semana: A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas

Diego cursou Crítica Cinematográfica na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo.

Reprodução

Proporciona uma experiência rica em atributos técnicos, com uma história encantadora e engraçada.

Há anos, produtoras como a PIXAR e Disney conseguem o feito de entregar longas animados que divertem não só crianças como também os adultos. Em 2018, a Sony Animation entrou nesse seleto grupo com a animação vencedora do OSCAR Homem Aranha no Aranhaverso, longa que conquistou público e crítica ao trazer idéias criativas e ousadas aliado com um visual espetacular. Depois desse sucesso, essa mesma equipe criativa retorna ampliando a linguagem artística que deu certo no projeto anterior, apostando na mescla entre o 2D com 3D (arte que valoriza formas e cores) e entrega ao público A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas, que me proporcionou uma experiência deslumbrante, frenética, riquíssima em atributos técnicos e com uma história encantadora, engraçada, cheia de coração e que nos surpreende a todo instante por sempre querer fugir do básico.


Em A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas, Katie Mitchell é aceita na faculdade de cinema dos seus sonhos e seu pai decide aproveitar para realizar uma viagem em família para levá-la à universidade. Porém, seus planos são interrompidos por uma revolução robótica e agora os Mitchells terão que unir forças em família para trabalhar juntos para salvar o mundo. O longa é dirigido por Michael Rianda que traz um ritmo intenso e frenético assim como um humor bastante satírico, mostrando a forma com que as pessoas estão cada vez mais se distanciando uma das outras devido ao universo digital. Aliado a isso, o diretor insere de maneira bastante criativa uma grande variedade de referências a cultura pop com uma estética visual ousada e exuberante. Aliás, antes de mais nada é necessário falar sobre a qualidade técnica da animação que superou qualquer trabalho feito antes pela equipe. As texturas, modelagens e expressões faciais são riquíssimas em detalhes junto ao design dos personagens, das ambientações e dos robôs geram uma explosão visual que é linda de se ver.


O roteiro, escrito pelo diretor em parceria com Jeff Rowe, tira sarro dele mesmo o tempo inteiro ao brincar com inúmeras situações vividas pela família, que possui cada um dos seus integrantes muito bem desenvolvidos. Logo de cara, notamos que eles são bem diferentes um do outro, cada um com sua própria esquisitice e seus hábitos peculiares e as interações entre eles são hilárias, com destaque para a relação de pai e filha e mensagens sobre autoconhecimento e aceitação própria que deixa a narrativa muito mais humana. O roteiro também elabora divertidas cenas de ação e diálogos cheios de emoção, especialmente pela jovem Katie, que é desenvolvida pelo texto como uma personagem doce, gentil, criativa e que necessita trilhar seu caminho, sem se apegar ao velho clichê da adolescente rebelde.


O time de dublagem (por favor, se possível vejam o filme no idioma original!), está afiado com destaque para a atriz Olivia Colman, que foi uma jogada de mestre como a voz da vilã PAL, a Inteligência Artificial. 


A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas foi uma das animações mais divertidas que assisti nos últimos anos. Apresenta um visual ousado e cheio de energia que brinca com diversas referências à cultura pop, sem deixar de lado comentários pertinentes e profundos sobre como nossas vidas podem ser afetadas em uma época com tantas informações (ou desinformações) digitais.  


Curiosidades: O nome de PAL é uma clara homenagem a HAL, a Inteligência Artificial que também se rebela no clássico 2001 - Uma Odisséia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick.
 


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