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Colunistas/Cinema | 29/05/2021

Dica da semana: Army of the dead: Invasão em Las Vegas

Diego cursou Crítica Cinematográfica na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo.

Reprodução

O filme entrega um dos espetáculos mais absurdos e irreverentes deste ano.

Você com certeza já ouviu falar do diretor Zack Snyder, ou se não ouviu, pelo menos já viu algum de seus filmes. Diretor dono do rótulo "ame ou odeie", Snyder começou sua carreira com "Madrugada dos Mortos", filme de 2004 onde reinventava os zumbis criados por George Romero e também se aventurou no filme de super-heróis da DC com pouco sucesso. Agora, após quase duas décadas, o diretor se aventura novamente em um território que representa um retorno às origens do cineasta. Army of the Dead possui todos os excessos que conhecemos do diretor: violência explícita, cenários épicos e grandiosos, muita explosão, trilha sonora duvidosa e muita, mas muita câmera lenta. Porém, tudo isso também vem com o que o cineasta tem de pior, como diálogos expositivos e roteiro cheio de furos. Se você quer diversão, talvez consiga achar aqui, agora se já não gosta dos filmes dele, passe longe.


Ambientado em um mundo pós-apocalíptico, Army of the Dead acompanha a história de Scott Ward (Dave Bautista), um desabrigado e ex-herói de guerra que agora vende hambúrgueres nos arredores de Las Vegas. Tudo muda na vida de Scott quando Bly Tanaka (Hiroyuki Sanada), um magnata dos cassinos, oferece uma proposta tentadora: invadir Vegas, que está cheia de zumbis, para roubar 200 milhões de dólares de um cofre antes que a cidade seja bombardeada em 32 horas pelo governo. Motivado pela esperança de que a recompensa possa ajudar na reconciliação com sua filha, Kate (Ella Purnell), ele assume o desafio e monta uma equipe de especialistas para o grande roubo. Snyder já inicia seu longa com uma eficiente, vibrante, urgente e sanguinária abertura ao som de uma dramática "Viva Las Vegas", decisão acertada por já inserir o espectador na trama sem se preocupar em dar muitas explicações sobre a origem daqueles mortos-vivos. Gráfica e esteticamente impecável, essa abertura é um dos pontos altos do longa que já deixa claro onde o diretor quer chegar. Criando uma atmosfera assustadora e cheia de tensão a partir do momento que os mercenários voltam a Las Vegas, o diretor consegue representar muito bem a ameaça daqueles zumbis, com o primeiro contato com uma nova raça, os Alfas, que são mais rápidos, ágeis e incrivelmente organizados. As cenas de ação, marca registrada do diretor, são muito bem conduzidas, com destaque para o tiroteio dentro de um dos cassinos. 


O filme possui duas horas e meia de duração e, apesar de eu gostar de filmes longos, o roteiro parece um pouco inchado e demonstra ser sempre o calcanhar de Aquiles de Snyder por não possuir estrutura suficiente para sustentar uma experiência tão prolongada. A apresentação dos personagens do grupo que entrará em Las Vegas é interessante e o desenvolvimento de alguns faz com que o espectador acabe se importando com boa parte deles, mas parece que o diretor, que assina o roteiro, não tem a mesma preocupação com o destino dos mesmos. Apesar de o personagem de Dave Bautista ter um arco dramático e motivações interessantes, a inserção de tramas paralelas não acrescenta em nada na narrativa e mesmo os personagens sendo realmente bons e carismáticos, eles não ganham profundidade para que suas possíveis mortes fossem lamentadas pelo público afeiçoado a eles. Sendo assim, Snyder tentou adicionar elementos de drama, ação e comédia em um filme que não precisava ter todas essas misturas de gêneros. 


Apesar de acertar na estética do filme, com cenários grandiosos que deixa visível o investimento massivo da NETFLIX, não entendi algumas escolhas do diretor (sendo que ele também é o diretor de fotografia do filme) como as constantes tomadas com fundo desfocado que tira um pouco a atenção do filme e quebra algumas cenas. Fora isso, temos uma trilha sonora empolgante, uma grandiosa direção de arte e interessante uso de maquiagem dos zumbis misturado com CGI.


Um dos maiores atrativos de Army Of The Dead talvez esteja em seu elenco, repleto de figuras uma mais diferente que a outra. O destaque fica por conta da química e dinamismo entre os atores Omari Hardwick e Matthias Scheweigöfer, que apesar de serem propositalmente caricatos, os personagens se completam dando um desenvolvimento hilariante ao filme. Outro que merece ser citado é Dave Bautista, que esbanja carisma e vulnerabilidade, sendo o grande destaque como protagonista e uma das maiores surpresas do filme.


Army Of The Dead é uma divertida bagunça que, mesmo entre erros e acertos, entrega um dos espetáculos mais absurdos e irreverentes deste início de ano.


Curiosidades: Zack Snyder começou a trabalhar na primeira versão de ‘Army of the Dead: Invasão em Las Vegas‘ há 10 anos.


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