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Colunistas/Fronteiras da Ciência | 29/05/2021

Gente sem nome

Jadir Albino é apresentador do programa "Fronteiras da Ciência", exibido aos domingos, às 19h, na Santa Cecília TV, com reapresentação aos sábados, às 21h.

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As pessoas que estão à sua volta, não estão aí por ordem do acaso.

-Por que o café ainda não foi servido? -  Pergunta, um tanto irritado, o empresário, sentado em sua confortável poltrona, às 7 horas da manhã.


A secretária responde meio assustada:


-Então o senhor não sabe? Dona Margarida morreu ontem à noite.


-E quem é a Dona Margarida? - Pergunta o patrão.


-Dona Margarida era a copeira que lhe servia o café todos os dias, há quase 8 anos.


-Ah, e ela se chamava Margarida? 


-Sim - responde prontamente a secretária. 


-Mas o senhor não se preocupe que logo seu café será servido, pois outra copeira já está sendo providenciada.


O que aconteceu com esse empresário, acontece com boa parte dos homens de negócios ou mesmo com outros prepotentes com relação a essas pessoas “sem nome” que os servem com dedicação, diariamente.


Elas chegam antes de todos. Tomam as primeiras providências para que, ao chegar o patrão, tudo esteja em ordem e elas possam atender com rapidez.


São criaturas anônimas que cumprem a sua tarefa humilde e, além do salário no final do mês, recebem apenas ordens e broncas.


Mães que, por vezes, carregam grande amargura em seus corações dilacerados pelos filhos-problema, sem que ninguém se interesse por suas dores.


Outras vezes, suportam um marido alcoólatra, sem receber, sequer, uma palavra de esperança daqueles a quem servem com dedicação.


Assim como a copeira, há outros tantos “sem nome”, dos quais depende boa parte dos serviços realizados no dia-a-dia.


É o porteiro que sempre está no seu posto. O ascensorista que desce e sobe horas a fio, tantas vezes mergulhado em suas dores íntimas, sem que nenhuma das centenas de pessoas que ele leva e traz lhe pergunte, com interesse, sobre a sua família.


É o office-boy, quase sempre jovem ou adolescente que trabalha de sol a sol para ajudar no sustento da família e que, nos seus poucos anos de vida, aprende a conviver com a indiferença daqueles a quem serve.


A faxineira, que mantém tudo limpo, ganha bronca daqueles que não querem ser incomodados durante o expediente e, muitas vezes, adentra a noite para fazer seu serviço sem perturbar ninguém.


É o jardineiro, que quase é confundido com a própria paisagem, tantas vezes com terra até nos cabelos.


Essas criaturas são pessoas sensíveis à dor e às boas emoções.


Um “olá”, um “bom dia” ou “boa tarde”, acompanhados de um sorriso sincero, pode fazê-las muito felizes e ajudar a mudar a sua paisagem íntima.


São seres humanos lutando com dificuldade para prover o sustento com honradez.


Uma gentileza não custa nada e ajuda muito, a qualquer pessoa.


Saber seu nome, interessar-se pela sua situação, amenizar as suas dores, se for possível, não maculará a nossa posição, pelo contrário, nos eleva diante do Grande Arquiteto do Universo, Criador de todos nós.


Talvez alguns pensem que fazendo isso perdem a autoridade, mas é bom lembrar que a verdadeira autoridade não se expressa com a indiferença.


Abraham Lincoln se importava tanto com seus soldados a ponto de estar junto deles sempre que possível e foi um dos Presidentes americanos mais respeitados.

 

[com base na Redação do Momento Espírita]

 

As pessoas que estão à sua volta, não estão aí por ordem do acaso.


Há, perante as Leis Divinas, uma razão muito especial para elas estarem sob os seus cuidados e sob a sua autoridade.


Por essa razão, preste atenção em todas e verá que elas o observam e lhe seguem o exemplo, mesmo que, para você, elas sejam apenas pessoas “sem nome”. 
 


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