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Colunistas/Saúde e Beleza | 05/06/2021

Doença do refluxo gastro esofágico

Júlia Mendes é médica dermatologista e pediatra. CRM: 101090-SP / RQE: 32157/ RQE: 27484

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A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é, provavelmente, uma das doenças mais prevalentes no mundo que compromete significativamente a qualidade de vida. 

 

Sua incidência no Brasil é de 12%, o que corresponde a 20 milhões de indivíduos.

 

Trata-se de uma doença digestiva em que os ácidos presentes dentro do estômago voltam pelo esôfago ao invés de seguir o fluxo normal da digestão. Esse movimento é conhecido como refluxo e irrita os tecidos que revestem o esôfago, causando os sintomas típicos como azia, tosse e dor no peito.

 

Para falar melhor sobre esse assunto eu convido a Dra Flávia Gerbi, médica gastroenterologista e endoscopista (CRM:70.620-SP):

 

CONCEITO:

É a condição que se desenvolve quando há o retorno do conteúdo do estômago e duodeno com ácido e sais biliares para o esôfago e ou outros órgãos, com ou sem lesão.

Conceituada como afecção crônica decorrente do fluxo retrógado de parte do conteúdo gastroduodenal, acarretando vários sintomas esofagianos e ou extra esofagianos. É uma patologia que exige mudança de estilo de vida.

O número de pacientes com doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é subestimado, pois um grande contingente tem sintomas ocasionais e não se medica e outro se automedica.

O mecanismo desencadeante, mais importante, dos eventos de refluxo, é o relaxamento transitório espontâneo do esfíncter inferior do esôfago (EIE), onde há diminuição da pressão basal deste esfíncter.

 

MANIFESTAÇÕES:

 

Manifestações Típicas

Pirose, que é dor torácica em queimação.

Regurgitação, processo passivo em que há o retorno de parte do conteúdo gástrico para o esôfago.

 

Manifestações Atípicas: pigarro, tosse crônica, dor torácica não cardíaca, erosão dentaria, glóbus faríngeos (sensação de ter algo preso na garganta), pneumonias de repetição, bronquite, rouquidão.

 

DIAGNÓSTICO:

O diagnóstico da DRGE se inicia com uma boa anamnese (história clínica) para identificar sintomas, frequência, duração e intensidade.

 

O exame de escolha é a endoscopia digestiva alta (EDA) para avaliarmos lesões causadas pelo refluxo, padrão ouro no estabelecimento de complicações (estenose, úlceras, esôfago de Barrett). 

 

Métodos específicos como phmetria e impedanciophmetria são indicados para documentar a exposição do ácido no esôfago.

 

TRATAMENTOS:

 

O tratamento da DRGE se baseia em aliviar os sintomas, cicatrizar as lesões e prevenir complicações e pode ser dividido em clínico e cirúrgico:

 

TRATAMENTO CLÍNICO por sua vez se divide em medidas comportamentais e fármacos

 

- Medidas comportamentais: perder peso (quando estiver com sobrepeso), abandonar o fumo, mastigar bem os alimentos, elevar a cabeceira da cama, evitar refeições copiosas, evitar refeições 3 hs antes de deitar.  

                                                                                                                                                                       

   -Medidas Dietéticas: café, chá preto e mate, condimentos, bebidas gaseificadas, goma de mascar, alimentos ricos em gorduras, carminativos (hortelã, menta).

 

- Fármacos: 

 

PROCINÉTICOS: (metoclopramida , domperidona , bromoprida)

 

HIPOSSECRETORES: (bloqueadores da histamina tipo 2- ranitidina, famotidina, entre outros ) e 

INIBIDORES DA BOMBA DE PROTONS-IBP:(``prazois´´), promovem profunda inibição da secreção ácida.

 

TRATAMENTO CIRÚRGICO: este tratamento visa reduzir a exposição ácida ao esôfago. A preferência reside na correção por via laparoscópica e está indicada na falha do tratamento clínico.

 

Não pratique automedicação, procure um especialista.

 

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