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Colunistas/Positividade | 31/05/2021

Liderança pelo exemplo

Juliana Colella - Psicologia Positiva, não violência, espiritualidade e felicidade autêntica.

Encontrar nosso espaço no mundo é um caminho tortuoso e cheio de exploração. Olhar-se com curiosidade e encontrar sua voz, seu tom, sua verdade traz muitos momentos de confusão.

 

Não é fácil ir atrás dos seus sonhos. Pessoas falando que não é possível. Ou pelo menos insinuando, quando tentam te convencer de fazer coisas que consideram mais seguras. A sensação de estar desapontando, pelo fato de querer ser você. Reprimir a sua individualidade, por sentir que não se encaixa em lugar algum.

 

Por muito tempo tive vergonha de dizer em voz alta a minha intenção de trazer a espiritualidade ao centro do meu trabalho. Mesmo sendo algo tão visceral para mim

 

É que já ouvi tantas vezes o quanto sou ingênua por partilhar minha visão de mundo, e sei que as pessoas acham “bonitinho” quando eu estou conversando e partilhando meu ponto de vista, mas sempre me encaram com o olhar de: “legal, mas isso nunca vai acontecer

 

Uma condescendência à uma ilusão infantil que não há real possibilidade de ser verdade.

 

O cinismo está tão estruturado, as pessoas se sentem tão desempoderadas de sonhar e fazer acontecer aquilo que realmente querem viver, estão tão distantes de terem uma vida bela e feliz, que dizer que a vida e o mundo são belos, os faz sorrir gentilmente e achar que sua visão é imatura e utópica.

 

Viver com propósito, viver com significado, honrar nas ações do dia a dia a beleza divina e uma realidade sagrada, soa tão distante da realidade das pessoas, que só de falar sobre isso e receber esse feedback não dito delas, me constrange. Me limita. Me cala e paralisa.

 

Mas também sei que as pessoas se inspiram… o mundo precisa de fé na vida.

 

Acontece que o outro mundo, o mundo da espiritualidade, o mundo da reconexão com o Eu sagrado, pode se mostrar um mundo tão julgador, tão cheio de travas e complicação e subjetividades quanto o outro lado

 

Unir os dois mundos é um desafio. Eu escuto que cobrar por trabalho espiritual não é certo, ao mesmo tempo que não cobrar é escassez, Deus quer que eu trabalhe com isso por conta de ter me dado esse dom.

 

Dai vejo pessoas enrijecidas em suas opiniões de um lado, e do outro. E não sinto abertura em ser eu mesma.

 

Prezo sim um mundo onde as pessoas reconheçam as verdades de cada pessoa. Um mundo onde cada um possa expressar sua voz sem ter que enfrentar críticas e sem esperar elogios.

 

Prezo a liberdade. O amor. O auto valor, e o auto reconhecimento como sendo uma boa coisa, que abrirá as portas para uma vida boa e cheia de significado.

 

Quando as pessoas perceberem que simples mudanças em suas atitudes pessoais causarão a mudança estrutural na sociedade, vai ficar mais fácil. Não é sobre mudar a estrutura, a estrutura é feita de pessoas. Temos que retomar nossa consciência e assim sermos capazes de abrir nosso coração para a pureza e confiar na vida, confiar que nosso espaço deve ser ocupado por nós para que o diferente seja feito, e a real mudança aconteça.

 

Reprimir nossas vozes, nossa expressão, pelo medo do cancelamento é absurdo, mas é também compreensível. Ninguém quer ficar sozinho. O desconhecido nos apavora. Como saber se vai dar certo? Se vai funcionar? Só fazendo, confiando, na entrega.

 

Falo isso em voz alta, para que as palavras ecoem nos meus ossos e eu possa, quem sabe, assimilar e ter a coragem de agir conforme essa verdade que pulsa em mim e ainda se vê reprimida.

 

E quando você agir, tenha a certeza, que outros virão. Pois o mundo precisa de mudança, e a mudança se dá pelo exemplo de que outras possibilidades são possíveis. Lidere pelo exemplo! Seja inspiração!


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete a linha editorial e ideológica do Jornal da Orla. O jornal não se responsabiliza pelas colunas publicadas neste espaço.


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