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Colunistas/Clara Monforte | 05/06/2021

Olhos nos olhos com Paulo Fernandes

Clara Monforte é advogada e colunista social, autora dos livros "Claríssima" e "Almanaque social"

Desde jovem, ele se dedica à maior potência econômica que marcou o desenvolvimento de Santos: o café

PAULO FERNANDES é industrial e, desde muito jovem, se dedica a maior potência econômica que marcou o desenvolvimento de Santos - O CAFÉ. Uma vida voltada ao crescimento e aperfeiçoamento desse produto, exercendo cargos junto ao Sindicato do Café, Casa do Café no Porto de Santos, Conselheiro da Associação Brasileira da Indústria do Café, no RJ, Associação Comercial de Santos, além de dispor de seu tempo para filantropia no Rotary Clube e Casa da Visão.

 

- Com que idade você começou, junto ao seu pai, no seguimento do café?  

Eu estudava no Mackenzie e resolvi transferir a faculdade para Santos. Comecei a trabalhar na área do Porto, onde minha família também tinha atividades. Na época, houve uma fusão de nove empresas e indústrias de café de Santos, estimuladas pela extinção do IBC (Instituto Brasileiro do Café). Nesta ocasião, meu pai colocou à disposição uma das empresas dele, entre as nove que possuía, com o objetivo de formar uma única grande empresa. Em 1971, eu e meu pai, compramos a parte de outros sócios, restando nós quatro, meu pai, eu, e outros dois. 


 
- Já era Café Floresta?

Com a fusão, existia uma enormidade de marcas que vinham desta unificação. Fomos excluindo algumas sem expressão e, dentre as que tinham um significado maior, estava a marca Floresta que, inclusive, completou 80 anos de atividade ininterrupta, ano passado.  


 
- Em que lugar o Brasil está no mundo como consumidor de café?  

Hoje é o segundo. O primeiro são os Estados Unidos, mas já estamos colados em consumo per capita com o consumidor americano. 
 


- E como produtor e exportador?

Como produtor é o maior do mundo, assim como o maior exportador também. 

Relembre a Casa do Café, no Porto de Santos.
A Casa do Café foi inaugurada em 28 de fevereiro de 1970 e foi um sucesso! Não havia nenhum lugar, aqui na cidade, onde as mulheres pudessem tomar um café fora de casa, sem disputar um balcão, eram mal servidas com café em copo de vidro. Aos domingos, os santistas íam tomar um gostoso cafezinho. E os turistas, na partida e na chegada, também frequentavam.

 

- Depois, você criou a primeira cafeteria do Brasil?

Sim, meu irmão e eu, criamos a primeira, em janeiro de 1973, que existe até hoje, na Praça Independência. A partir daí, montamos outras em todo o Estado, inclusive, no Edifício Copan, em São Paulo, em atividade até hoje.


- Vocês pesquisaram o gosto popular para criarem as cafeterias?

Fizemos pesquisas com as mulheres (que têm mais sensibilidade, são mais críticas), que contribuíram muito, desde as xícaras (na alça de pegar, que antes queimava as mãos), até no tamanho das embalagens (menores), etc. O café tem que ser bem tratado, desde o plantio, até a xícara. O italiano diz que precisamos ter 4 Ms (emes) para o bom café, o primeiro é a mistura (blended), a máquina de boa qualidade e regulagem, o moinho, e o último é a mão do operador. 
 


- Há dois anos você levou a sua marca, entre 120 países, para Shangai, na China. Você ainda mantém contato? Existe alguma perspectiva futura?  

A China me surpreendeu. Estive na cosmopolita Shangai, na primeira feira de importação de café, um país outrora só exportador, onde está crescendo o consumo de café, inclusive, fica em Shangai a maior cafeteria do mundo da Starbucks. O público jovem está muito aberto às novidades. O envio de café para lá tende a crescer com o tempo. Para negociar com os chineses é necessário criar amizade, familiaridade e confiança.


A Natureza

Tanto o homem mexeu com a natureza, que a natureza resolveu mexer com o homem. A natureza tem poder e pode usá-lo facilmente. As camadas solares, as matas, os astros foram “cutucados” pelo homem e, este, estragou muita coisa. Um exemplo: o verão é alegre, colorido, inspira alegria e ânimo. No entanto, agora nessa estação ficamos sufocados, como se numa “estufa”. 


A verdade é que vivemos estressados e ao final dos dias parece que não fizemos nem a metade do que gostaríamos de ter feito. O dia está mais curto. 


Jamais ouvimos falar em tantas doenças, catástrofes, mortes, inundações e terremotos. 


Impossível assistir a esse espetáculo e não temer. Impossível não cuidarmos da natureza com respeito e carinho. Ela é linda e poderosa. Ela precisa ser cuidada para cuidar de nós. É hora de fazermos a nossa parte, para ela nos devolver tudo de melhor que pode nos proporcionar. A natureza merece...e nós também!
 


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13.04.2018

Olhos nos olhos com Paulo Fernandes

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