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Colunistas/Livros e mais livros | 09/06/2021

A delicadeza

Rafael Medeiros, Procurador do Município de São Paulo e ávido leitor.

Um livro para a semana dos enamorados.

Literariamente, o gênero romance se caracteriza por apresentar uma narrativa em prosa situada em um tempo/espaço. É aquilo que mais se lê no mundo: livros que contam uma estória, com um enredo e personagens. “O romance é uma segunda vida”, disse Pamuk (Nobel-2006). Para Borges, ler um romance é “abrir um novo cosmos”. Nem todo romance precisa provocar uma catarse de reflexões no leitor. Voltamos ao início de todas as coisas: um livro pode ser simplesmente uma boa estória, escrita de forma inteligente e cativante. 

 

A delicadeza conta a estória de Nathalie, que vive em tranquila felicidade, no mais discreto bem-estar sentimental. Sem nunca se quedar à ditadura dos desejos dos outros, viveu, cresceu e se apaixonou ao seu modo. Até que, num domingo, o terror aparece em sua vida para tudo mudar. Para se recuperar do trauma, trabalha freneticamente e assim atravessa a espuma de todos os dias. E então surge o desajeitado sueco Markus, que, pouco a pouco, enternecerá o coração de Nathalie. 

 

O livro resolve bem os extremos emocionais que aparecem na trama: a perda, o luto, mas também a leveza, a alegria, o engraçado. As espirituosas observações inseridas pontualmente entre os capítulos dão um charme singular (ex: qual seria a discografia de John Lennon se ele não tivesse morrido em 1980?). O final, com o passeio de Markus por todas as Nathalies, é magistral. 

 

E Nathalie, enfim, abriu os olhos. 

 

Motivos para ler:

 

1- David Foenkinos é um jovem e promissor escritor francês. Vale acompanhar de perto sua carreira. Dele sugerimos também o excelente e assombroso Charlotte, um tributo biográfico à Charlotte Salomon;

 

2- Eis uma dica de ouro do tipo imperdível: o livro recebeu uma adaptação cinematográfica homônima (no Brasil: A delicadeza do amor). Nathalie é incorporada por ninguém menos do que a maravilhosa Audrey Tautou (a eterna Amélie Poulain). Uma rara ocasião em que o filme supera o livro. Markus ganhou uma interpretação impagável e hilária. Vale cada minuto; 

 

3- Mais uma dica: para esta semana dos enamorados que culmina no dia 12, A delicadeza segue como uma apropriada sugestão de presente. Seja o filme, seja o livro, certamente agradará. 


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete a linha editorial e ideológica do Jornal da Orla. O jornal não se responsabiliza pelas colunas publicadas neste espaço.


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