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Cotidiano/Comportamento | 12/06/2021

Pandemia impulsiona aplicativos de namoro

MARCO SANTANA - DA REDAÇÃO
Freepik

Iniciados no ambiente virtual, relacionamentos evoluem para o mundo presencial.

Sem baladas, barezinhos, shows, festas e eventos sociais ficou mais difícil encontrar parceiros amorosos (casuais ou duradouros) durante a pandemia. Assim, ganharam mais força os aplicativos de relacionamento, como Tinder, Badoo, Happn e tantos outros. Mas é possível encontrar uma pessoa bacana e engatar um relacionamento real? 


A resposta é sim. Diversos relacionamentos iniciados no ambiente virtual se solidificaram, passaram para o presencial e seguem firmes, fortes e promissores. O Jornal da Orla convidou  seus seguidores nas redes sociais para que contem suas histórias de amor iniciadas na pandemia. Selecionamos duas que traduzem o momento que passamos e prova, sem risco de parecer piegas, que o amor é lindo!

 

Isabella e Carlos Eduardo

 

"Eu e o Cadu nos conhecemos pelo Dating, app de relacionamento do Facebook, em maio de 2020. Desde o dia que demos “match” não paramos de conversar. Por conta da pandemia, tinha medo de encontrá-lo pessoalmente e o enrolei por 18 dias para ter certeza que nenhum de nós estava com sintomas. 


Nos encontramos na minha casa e rapidamente a minha família (e a dele) estavam envolvidas, já que sempre nos víamos em casa.  Passamos o Dia dos Namorados juntos mesmo sem estar namorando e dia 21 de junho, 21 dias após nos conhecermos, oficializamos o namoro. 


Passamos por muitos momentos juntos, felizes e tristes, bons e ruins. Eu consegui um novo emprego, estamos passamos pelo luto do pai dele que faleceu de covid, vibramos a cada conhecido que toma a vacina. Estamos prestes a fazer 1 ano de namoro e estamos nos programando para casar em 2023 ou quando a pandemia tiver acabado".

 

Giuliana e Felipe

 

"Era agosto de 2020. Eu, recém-divorciada, e ele, veterano do Tinder. Eu, morando temporariamente com os pais em Embu das Artes e ele de São Paulo, ambos vivendo a modo que o vírus nos permitia, HomeOffice, saindo somente para o necessário e aquele tédio de não ter com quem falar. Baixei o Tinder pela segunda vez, pois em junho fiquei apenas três dias no app e desisti! No dia 16 de Agosto demos ‘Match!’, pela segunda vez! Já tinha estado no app em Junho, havíamos dado ‘Match!” mas não nos falamos... Ele não perdeu a chance, logo puxou assunto — e quanto assunto, viu? Conversa vai, conversa vem... Descobrimos ter muitas coisas em comum e, o mais improvável: ele morava a nem 10 minutos do meu apto em SP! Após alguns dias de conversa pedi o Instagram dele — vamos verificar a autenticidade, né? E os coincidências não pararam por ai! Tínhamos um amigo em comum, meu cunhado! Descobri que eles estudaram juntos quando crianças. 


A vontade de nos conhecermos pessoalmente era absurda, no dia 6 de Setembro fui no meu apartamento para limpar e buscar algumas correspondências e comentei com ele que estava em São Paulo. Marcamos nosso encontro em casa, ambos estavam se cuidando, achamos possível nos conhecermos, porém lá não tinha nada, nem água... “Olha, o encontro pode ser aqui mas traga água, pelo amor de Deus”. A noite chegou e lá estava ele, com duas garrafas de água... E para comer? pedimos pizza, pensa na minha fome, o dia todo sem comer! Comi logo cinco pedaços, ninguém me avisou que devia maneirar no primeiro encontro... Damos risada disso até hoje. Conversamos a noite toda e tudo pessoalmente fluiu muito bem, tão bem que já se passaram 10 meses desde nosso Match!"

 

"Só se desilude quem se ilude”, diz psicóloga

 

 

Especialista em relacionamentos amorosos, a psicóloga Maria Rafart considera os aplicativos de namoro uma forma perfeitamente legítima de conhecer pessoas. “A pessoa está ali mostrando a que veio, o que é bastante mais prático do que estar circulando num determinado ambiente e não saber exatamente quais são as intenções da outra pessoa”, explica. 


No entanto, ela alerta que, assim como no mundo presencial, o ambiente virtual abriga todo tipo de pessoa. “Antigamente, eram as mais tímidas, pouco sociáveis e hoje não. Hoje temos todos os tipos de pessoas nestes aplicativos, desde as que procuram apenas uma relação casual, a pessoa comprometida que quer um parceiro ocasional mas também, e felizmente, aquelas que querem um compromisso sério”, afirma Rafart.


A psicóloga faz algumas recomendações para evitar ter problemas. A principal é começar ter um contato de verdade, presencial, o quanto antes. Ela explica que, quando outra pessoa está muito longe a tendência é o encontro pessoal demorar mais para acontecer e isso faz com que a interessada preencha os “furos” na biografia da outra pessoas apenas com coisas positivas.  “Aí a tendência é se iludir. Então a primeira dica é: procure alguém muito próximo de você, de preferência do mesmo CEP (Código de Endereçamento Postal), pelo menos os quatro primeiros números. Porque aí você poderá conhecer essa pessoa e iniciar uma relação de verdade”, recomenda. “Só se desilude quem se iludiu”. 

 

Maria Rafart alerta também para pretendentes aproveitadores ou estelionatários, que dizem “me manda o dinheiro da passagem” e outras situações ainda piores. “E não tem nada a ver a mulher ser culta ou não, já vi pessoas de todas as profissões caírem neste tipo de emboscada por carência. Portanto, muita dose de realidade, para viver bem e encontrar uma cara metade bem bacana, que é o que todo mundo merece”, finaliza. 

 


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