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Colunistas/Livros e mais livros | 07/07/2021

Crônicas de Petersburgo

Rafael Medeiros, Procurador do Município de São Paulo e ávido leitor.

Dostoiévski e sua cidade.

Para muitos escritores, redigir crônicas representou uma atividade importante em suas carreiras literárias. E que ninguém se engane: a crônica é um desafio. Exige do autor uma forte base intelectual para articular, num só texto, elementos que não se conectariam normalmente, tais como política, comportamento social, ficção, delírios filosóficos e opinião. Gabriel García Márquez, José Saramago, Machado de Assis e Clarice Lispector, todos escritores de primeiro escalão, foram brilhantes cronistas. 

 

O enorme Fiódor Dostoiévski, expoente da colossal literatura russa, também exercitou a crônica. Crônicas de Petersburgo traz seus escritos jornalísticos sobre a temporada de inverno, apresentando ao leitor a sua cidade. Mas é ninguém menos que Dostoiévski escrevendo; portanto, genialidade colocada em prática: ele analisa, com uma fina e lírica ironia zombeteira, as atrações culturais e os hábitos hipócritas dos munícipes, faz resenhas literárias, ergue teorias e microficções e conta casos anedóticos.  

 

Um pequeno livro no qual a cidade é a grande protagonista, que ganha vida pelas mãos de um dos maiores escritores/pensadores de todos os tempos. 

 

Motivos para ler:

 

1- Fiódor Dostoiévski teve uma vida, sem exageros, louca (1821-1881). Com a morte dos pais, o jovem se vê na pobreza e escreve seu primeiro romance (Gente pobre) com grande sucesso. Logo depois é preso e condenado à morte por colaborar com revolucionários. Faltando dramáticos poucos segundos para sua execução, sua pena é convertida em trabalhos forçados, período retratado no livro Escritos da casa morta. Casa-se e funda uma revista com o irmão, mas esposa e irmão morrem. Casa-se novamente e embarca para a Europa, fugindo de credores. Tem um filho, que morre aos 3 anos. Perturbado e sempre incomodado com dificuldades de todo gênero, produziu obras que iluminariam o mundo para sempre: Crime e castigo, Os demônios, O eterno marido, Humilhados e ofendidos e a obra prima, Os irmãos Karamázov;

 

2- Literatura russa é um patrimônio da humanidade. Use e abuse sem moderação;

 

3- Imagine se você fosse encarregado de escrever crônicas sobre a sua cidade: os costumes, o comportamento de seus cidadãos, os hábitos, passatempos, questões políticas. O que você escreveria?


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