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Colunistas/Blog do Carpentieri | 07/07/2021

Mala suerte, Bolsonaro

Diretor de Redação do Jornal da Orla

Reprodução

Presidente perdeu uma grande chance de pacificar o país.

Os espanhóis e os mexicanos têm uma frase que resume um período de adversidade, de coisas ruins, que acontece com uma pessoa: "mala suerte" (toc, toc, toc, três vezes na madeira).
Pois é. 


Talvez a expressão possa ser utilizada pelo presidente Jair Bolsonaro, que vê seu sonho de reeleição cada dia mais distante.


Segundo as últimas pesquisas de intenção de voto, de vários institutos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceria Bolsonaro no segundo turno por ampla vantagem. 


Ainda existe a possibilidade de Lula ganhar no primeiro turno.


A rejeição ao governo Bolsonaro já passa de 60%.


O quadro pode mudar?

Pode, afinal a história mostra que a política é como uma nuvem. As coisas mudam muito rápido.


Mas com sua notória capacidade de não conseguir raciocinar de forma inteligente, Bolsonaro pode pensar e dizer que a culpa é da Globolixo, da imprensa comunista...


De fato, no curralzinho montado na porta do palácio, onde fala diariamente com seus seguidores, Bolsonaro é aclamado: "mito!", "mito!", "mito!".


Provavelmente  os gritos de "mito" e suas espetaculares motociatas pelo país lhe passem a falsa sensação de que é um líder amado pela grande maioria do povo brasileiro.


Bolsonaro tem sim uma legião de seguidores que o adoram. 


São milhões, mas eles são minoria e, portanto, incapazes, neste momento, de lhe garantir um segundo mandato.


O Brasil é um país estranho.


Milhares de eleitores votaram em Bolsonaro para tirar o PT do poder, mas acabaram decepcionados com a forma como o presidente governa.


Incrível, não?
Mas muita gente que estava com raiva do PT, e votou no atual presidente, é capaz agora de votar em Lula para tirar... Bolsonaro.


Diante de tudo que estamos vendo, na política, no STF, no Congresso, é bastante provável que até Freud tivesse dificuldades de entender o que se passa no Brasil.


Na Capital da República, com seus luxos e privilégios, todos eles vivem um mundo paralelo. Literalmente, para eles, a vida é bela.


O fato é que a "mala suerte" de Bolsonaro é responsabilidade dele mesmo. 


A Globolixo, como ele costuma dizer, não tem nada a ver com isso.


Vamos aos fatos:
Bolsonaro perdeu uma grande chance de, após a eleição, pacificar o país.


 Ao contrário, dobrou a aposta na radicalização e isso provocou um efeito colateral devastador na sociedade.


 Aumentou a violência, dividiu famílias, destruiu amizades de anos.


Conheço muitas pessoas que se gostavam e hoje não se falam mais por causa de política.


Na esfera administrativa, ao se negar a comprar vacinas que lhe foram oferecidas em 2020, por simplesmente acreditar na chamada imunidade de rebanho, e ao negar a ciência, Bolsonaro contribuiu para que o Brasil fosse o segundo país do mundo com mais mortes pela Covid-19.


Cientistas afirmam que entre 200 mil a 400 mil vidas teriam sido poupadas se o governo tivesse trabalhado corretamente no combate à pandemia.


A cena de Bolsonaro tirando a máscara de uma criança é o registro para a história de sua gigantesca ignorância.


Ofensas a jornalistas, ameaças à democracia, palavrões, negacionismo, desprezo às diferenças, tudo isso revela que Bolsonaro jamais esteve à altura do cargo para o qual foi eleito. 


E tem a carestia para tirar o sono de Bolsonaro.


 Preços do gás, energia elétrica, gasolina, carne, remédios etc explodiram. 


É a maldita inflação de volta.


Os pobres passam fome, a classe média sofre, enquanto os milionários e os bancos faturam alto com a pandemia.


Não bastasse, agora surgem com força denúncias de que Bolsonaro poderia estar envolvido em casos de corrupção.


O tempo dirá até onde são verdadeiras. Melhor aguardar.


Mas é fato que a "mala suerte" de Bolsonaro não é obra do destino.


O presidente tem-se revelado aquele sujeito que faz questão de atravessar a rua para escorregar na casca de banana.


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