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Colunistas/Medicina e Saúde | 24/07/2021

Fique de olho

Marcio Aurelio Soares é médico e escritor.

Arte: Alex Ponciano

Abra seus olhos, eles são mágicos; veja com bons olhos uma visita anual ao oftalmologista.

Dizem que os olhos são o espelho da alma. Ou que o que os olhos não veem o coração não sente. Não importa se você está com os românticos ou com os céticos, os olhos transmitem uma variedade enorme de informações; não só aquelas que traduzem imagens de modo a permitir que a identifiquemos, como informações sociais e emocionais extremamente complexas. Da mesma forma, expressões oculares também comunicam aos outros como pensamos e sentimos. Abertura do olho, a distância da sobrancelha para o olho, a inclinação e a curva da sobrancelha, rugas ao redor do nariz e abaixo do olho.

 

Engana-se quem acha que os olhos são “apenas” os órgãos responsáveis pela visão. Nada disso. Podemos comer, correr, falar, passar, tê-lo gordo, nu, cheio, grande, andar, abri-lo, furado, pregado, na cara... 

 

Podemos “comer com os olhos”; “correr os olhos”; “falar com os olhos” “passar os olhos” em algo; ter o “olho gordo”; ver a “olho nu”; “de encher os olhos”; “ter olho grande” em alguma coisa; “andar de olho” em alguém; “abrir os olhos” para alguma situação; tê-lo “furado”; “pregar o olho”; ou com o “olho da cara”, como o preço do botijão de gás.

 

A sabedoria popular, através de seus ditados e variadas formas de expressão, são demostrados por estudos cada vez mais consistentes que afirmam que além de todos esses propósitos, eles são mesmos essenciais para a percepção interpessoal. Se as pálpebras estão semicerradas, podem inferir suspeição, ou vontade de ver e enxergar mais longe; olhos muito abertos, arregalados, medo, apreensão, atenção. E inúmeras outras situações.

 

Enquanto trabalhamos, nos entretemos ou nos informamos usando o computador, nos mantemos por horas à frente da tela que emite forte luminosidade a poucos centímetros de nossos olhos. Contraste, reflexos, brilho e má definição da imagem podem tornar o texto mais difícil de ler, diferente de quando lemos as páginas impressas de um livro em papel. Daí podem surgir sintomas como visão desfocada, olhos secos e irritados, fadiga ocular, dores de cabeça; o que os oftalmologistas chamam de Síndrome da Visão do Computador (ou CVS). Não tem olho que aguente tanto estímulo.

 

Para evitar esse mal-estar, fique de olho nas dicas: Ajuste a iluminação de sua tela; dê preferência para tela antirreflexo; descanse os olhos por 15 minutos a cada duas horas e pisque os olhos para melhorar sua lubrificação. 

 

Abra seus olhos, eles são mágicos; veja com bons olhos uma visita anual ao oftalmologista.


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