Rádio Jornal da Orla/Digital Jazz

Ouça agora

Notícias/Política | 24/07/2021

Centrão mostra a bolsonaristas que a Terra não é plana

MARCO SANTANA - Da Redação
Reprodução

Presidente cede espaço ao Centrão e descumpre promessas de campanha para evitar impeachment.

A rendição incondicional do presidente Jair Bolsonaro ao Centrão, com a nomeação do senador Ciro Nogueira (PP) como chefe da Casa Civil, é a prova definitiva que a Terra não é plana e, por ser redonda, dá voltas.


Em 2018, no debate da TV Bandeirantes, Bolsonaro criticou Geraldo Alckmin (PSDB) por sua coligação contar com partidos do Centrão. “Caso ele chegue lá, sabe o que vai acontecer? Ele apenas ocupará a cadeira do Temer, os ministérios serão todos loteados, vai continuar fazendo a mesma coisa que fizeram ao longo de 30 anos. O único que pode romper o stablishment, a máquina, é Jair Bolsonaro”, disse Bolsonaro. 


Já no debate da RedeTV, disse que seria “um presidente que não negocia ministérios e estatais porque aí está o foco da corrupção. Não temos saúde e educação por causa das indicações políticas”.

 

E daí?
No dia 22 de julho de 2018, durante a Convenção Nacional do PSL, o general Augusto Heleno disse o seguinte: “Se gritar ‘Pega, Centrão!’, não fica um, meu irmão!”.


Exatamente um ano depois, nesta quinta-feira (22), ao ser questionado sobre a nomeação do senador Ciro Nogueira, Bolsonaro disse: “Eu sou do Centrão. Eu fui do PP metade do meu tempo. Fui do PTB, fui do então PFL. No passado, integrei siglas que foram extintas, como PRB, PTB”.


Emergindo do pântano
Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse antes da eleição que os políticos do Centrão eram “figuras do pântano político”. Na quinta-feira (22), ao falar sobre o avanço do Centrão em cargos estratégicos do governo, Guedes disse era uma “pressão política legítima e republicana”.

 

Os dedos e os anéis
Bolsonaro cede espaço ao Centrão e descumpre suas promessas de campanha para evitar a abertura de um processo de impeachment (há mais de 120 pedidos). Na prática, o presidente tornou-se um refém do presidente da Câmara, Arthur Lyra (PP) e dos políticos do centrão em si, cujos votos definem se o afastamento ocorre ou não.
 


Leia também