Rádio Jornal da Orla/Digital Jazz

Ouça agora

Colunistas/Livros e mais livros | 15/09/2021

Serei sempre o teu abrigo

Rafael Medeiros, Procurador do Município de São Paulo e ávido leitor.

A sensibilidade de Valter Hugo Mãe.

Viver é difícil. Tantas vezes voamos perto do sol e queimamos nossas asas. A esperança e a vitória negadas, o sacrifício em vão. A glória esfacelada antes mesmo de começar. Sonhos despedaçados. É por isso que o coração paralisa em tantos peitos: como manter o bom sentimento em meio ao vórtice selvagem da vida? O habilidoso angolano radicado em Portugal Valter Hugo Mãe, neste livro-conto, relembra-nos de proteger com garra e ternura a parte inegociável da vida. Serei sempre teu abrigo fala de amor e proteção. 

 

Elegendo sua relação com os avós, o escritor português, em brevíssimas páginas, expõe ao leitor o mundo do sentimento humano mais valioso. Foi observando o amor cuidadoso de seus avós um pelo outro que ele concluiu: “aprender isso foi do mais importante da vida. Eu disse: serão sempre o meu abrigo.”  

 

O conto imprime um novo sentido, todo próprio, à palavra “abrigar”. Abrigar é proteger a pura bondade dos desencantos, e é também encontrar espaço no coração alheio e ali residir amorosamente. Uma rica lição para os nossos tormentosos tempos de ódio e conflito. 

 

 

Motivos para ler:

 

1- Valter Hugo Mãe já possui uma sólida carreira internacional e compõe o primeiro escalão dos escritores portugueses da atualidade. A força motriz de sua potente produção é a afetividade, elevando a emoção como valor literário supremo – e sem qualquer pieguice. José Saramago, orgulho maior das letras lusófonas, referiu-se a ele como um “tsunami literário”. Vindo de quem vem, não pode haver melhor elogio;

 

2- Este conto, forrado de ternura, também carrega um significado importante: estamos aqui para nos fazer seguros. As pessoas abrigam-se umas nas outras. Abrigue os seus. Mais: abrigue aqueles que precisam e que sequer saberão de sua existência. Há muitas formas de ser bom;

 

3- A vida pode tornar árido um coração. Mas, mesmo com tudo perdido, o amor pode remanescer e, então, valerá a pena pagar o preço. Para tanto, aconselha-se uma boa dose de bravura, também humor para não se levar tão a sério e – claro - bons livros.  


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete a linha editorial e ideológica do Jornal da Orla. O jornal não se responsabiliza pelas colunas publicadas neste espaço.


Leia também

Colunistas | 22/09/2021
Colunistas | 08/09/2021
Colunistas | 01/09/2021